Parece mentira, mas infelizmente não é

Por, Ronaldo Almeida

Se te contassem que existe uma cidade muito rica em petróleo e gás, dois dos minérios mais valiosos do mundo, um lugar onde estão instaladas as filiais das maiores empresas do país, um lugar onde as terras são planas, produtivas e tudo que se planta nasce em grande fartura. Além disso, essa cidade é cortada pela principal rodovia do Brasil, a BR 101, já seria algo muito bom né?

Mas isso é só o começo. Esse lugar é a cidade que tem a maior extensão territorial do Estado, essa cidade também, tem ainda a maior extensão litorânea do Espírito Santo. Você achou muito? Então espera pra ver.

Essa cidade que até aqui parece ter saído de um conto de fadas, é dona da maior lagoa em volume de água doce do Brasil, fora isso, ela ainda possui outras 70.

Bom, nessa altura você leitor já deve ter adivinhado que estamos falando de Linhares, né?

Mas tem outro detalhe: dos 78 municípios que formam o Espírito Santo, Linhares está na 5ª posição entre as cidades mais ricas do Estado.

Mas como não existe nada perfeito, apesar de tantas riquezas, humanas, naturais e materiais, existem alguns problemas que se contarmos para algum visitante ou até mesmo para um extraterrestre, é capaz de ninguém acreditar e sermos taxados de mentirosos.

RODOVIÁRIA IMAGINÁRIA

Pois bem amigo leitor, depois de tudo isso que você acabou de descobrir de Linhares, caso ainda não tenha conhecimento, você está sabendo que o prefeito da cidade, o tal do Bruno Marianelli, anunciou a menos de uma semana, que está pensando em mandar construir uma rodoviária na cidade?

É isso mesmo, você não leu nem entendeu errado, eu disse “pensando”, por que até agora, não comprou ou apresentou o documento de compra do terreno, não licitou a obra, não apresentou o custo da obra, não falou quanto tempo levará para a rodoviária ficar pronta, então isso é uma “Rodoviária Imaginária”, que só existe na cabeça do prefeito e de quem ainda acredita ou finge acreditar nele por “algum motivo”.

224 ANOS SEM RODOVIÁRIA D. PEDRO

Só um detalhe, Linhares comemora este ano, 224 anos de existência, é isso mesmo, (duzentos e vinte e quatro anos de fundação).

Quando o Imperador D. Pedro II visitou Linhares em 3 de fevereiro de 1860, ele chegou aqui de canoa. Passados mais de 200 anos, se ele voltasse para visitar Linhares novamente, acho que não estranharia muito, pois quando chegasse não teria uma rodoviária mesmo.

Em 1860 não tinha água encanada, hoje tem os canos, mas falta água com certa frequência, então está tudo mais ou menos parecido, tirando o fato que tem mais gente e a cidade está infinitamente mais rica.

ESTRANHO TUDO ISSO NÉ?

Se a atual gestão de Linhares fosse comparada a um aeroporto, não ironicamente os voos seriam eternamente adiados, e o prefeito Bruno Marianelli estaria no cockpit, tentando encontrar a pista de decolagem.

Infelizmente, a analogia não é mera retórica: é a realidade nua e crua de uma cidade que parece ter perdido o rumo (sem exageros).

“O ESPECIALISTA”

Bruno, “O especialista” de herança, recebeu não apenas os desafios típicos de qualquer administração, mas também uma expectativa de continuidade e progresso. No entanto, o que se vê é uma gestão que patina mais do que avança.

A única coisa que podemos ver avançar na rica cidade de Linhares, são as promessas e as propagandas “enganosas de marketing”, hoje mais do que nunca, a atual gestão se agarra desesperadamente a mágica da propaganda política, a fim de fazer a população acreditar que o piloto sabe o que está fazendo.

O anúncio da construção da tão esperada, desejada, sonhada e necessária rodoviária, ao lado de um aeroporto praticamente inoperante e inacessível a grande massa da população, é um exemplo clássico de como as estratégias de marketing podem ser usadas para criar uma ilusão de progresso.

Bombardeio de anúncios coloridos

Os cidadãos são bombardeados com anúncios coloridos e discursos otimistas, levando-os a acreditar que o desenvolvimento está a caminho. No entanto, a realidade é que essas promessas são muitas vezes vazias, deixando a população desiludida e frustrada com a falta de resultados concretos.

Esse marketing que fica meio “lá e cá” faz com que essas promessas grandiosas sejam feitas com uma habilidade quase artística, mas raramente cumpridas.

Então convido você leitor a refletir sobre a obra anunciada, que não tem data nem para começar, nem para terminar. Uma hora vai sair do papel, mas o importante já foi feito, que foi a grande festa de anúncio da chamada “intenção de obra”.

Essa dissonância entre a propaganda e a prática é uma assinatura tradicional do grupo político ao qual o piloto Bruno pertence, e que vem transformando sonhos em meras miragens no horizonte de uma administração que, até agora, só decola nas fantasias imaginárias do prefeito e seus cargos comissionados.

 

Ronaldo Almeida: Jornalista e Consultor Politico