Opinião

Interlagos: Um Gigante nas urnas e um nanico nas decisões

Por, Max Mauro

Há bairros grandes. Há bairros importantes. E há o Interlagos, em Linhares, um lugar que há muito tempo deixou de ser apenas um bairro.

Com mais de 26 mil habitantes, segundo dados oficiais do IBGE, o Interlagos tem uma população superior à de cerca de 35 municípios capixabas. Além disso, possui o maior colégio eleitoral de Linhares e abriga o maior local de votação da cidade, o Colégio Marília de Rezende.

Outro fator que chama a atenção é a força econômica desse gigante de Linhares, que concentra uma das economias mais dinâmicas do município. Em número de empresas, movimento comercial e circulação de renda, só perde para a região central dentro da área urbana.

A força econômica que ajuda no desenvolvimento de Linhares

Basta observar a diversidade de atividades econômicas presentes no bairro para compreender sua importância no contexto local. Farmácias de grandes redes, supermercados, postos de combustíveis, clínicas, galpões logísticos, indústrias, oficinas, escritórios, construtoras e centenas de pequenos negócios formam uma engrenagem que movimenta empregos, renda e investimentos todos os dias.

O bairro cresce em ritmo acelerado. Novos empreendimentos residenciais, comerciais e industriais surgem continuamente, impulsionados por uma população majoritariamente em idade produtiva, que trabalha, empreende, consome e contribui significativamente para a arrecadação de impostos.

Então podemos afirmar com todas as letras: “O Interlagos não é uma periferia adormecida. É um polo urbano em plena expansão.”

Um gigante na economia e pequeno na mesa de decisões

E é justamente por isso que precisamos fazer uma pergunta incômoda:

Como um bairro com essa força econômica e eleitoral continua tão distante do núcleo real do poder municipal?

A resposta talvez esteja em uma frase que muitos moradores repetem há anos: “O Interlagos é tratado como celeiro de votos, não como celeiro de lideranças.”

Vamos aos fatos.

Apesar de concentrar o maior número de eleitores e uma das maiores populações de Linhares, o Interlagos jamais conseguiu eleger um prefeito oriundo do bairro.

Nunca teve um vice-prefeito em uma chapa majoritária vencedora. Raramente se veem moradores ocupando secretarias estratégicas ou cargos do primeiro escalão na prefeitura.

Mas uma coisa não podemos negar, quando chega a hora de pedir voto, o bairro é prioridade; quando chega a hora de dividir o poder, ele desaparece do mapa político. Tão logo as eleições terminam, o Interlagos volta ao seu papel de coadjuvante.

É como se o recado fosse silencioso, mas claro:

“Vocês são importantes para encher as urnas, mas não para sentar à mesa onde se decide o destino dos grandes investimentos.”

A responsabilidade também é do eleitor

E aqui está o ponto mais duro desta reflexão: essa realidade não se mantém apenas por escolha da classe política. Ela também se perpetua pela forma como a própria população tem votado.

Durante décadas, o bairro entregou milhares de votos a grupos políticos que, em muitos casos, mantiveram a representação do Interlagos em posição secundária. A comunidade se mobiliza para eleger vereadores, mas frequentemente vê essas lideranças isoladas, sem força real dentro da estrutura de governo.

Enquanto isso, outras regiões conseguem ocupar espaços estratégicos e influenciar diretamente a definição de prioridades, obras e recursos.

Representatividade não é privilégio, é equilíbrio de poder

Não se trata de defender um bairrismo cego nem de transformar a política em uma disputa territorial. Linhares é uma cidade só, e os investimentos devem beneficiar toda a população. Mas também não é razoável fingir que representatividade não importa. Importa, e muito.

Quem ocupa os espaços de decisão ajuda a definir quais problemas entram primeiro na pauta, quais projetos avançam com mais rapidez e quais demandas recebem atenção imediata.

Chegamos ao momento da reflexão

Talvez o momento mais importante não seja perguntar qual candidato promete mais, mas qual deles demonstra disposição real de incluir o Interlagos no centro das decisões.

A comunidade precisa avaliar quem conhece o bairro além do período eleitoral, quem mantém presença constante, quem apresenta propostas concretas e quem está disposto a abrir espaço para que lideranças locais participem efetivamente da administração.

“O Interlagos já provou que é gigante em população, economia e nas urnas. Agora, precisa ocupar um espaço compatível com sua importância nas decisões que definem o futuro de Linhares” 

Max Mauro é Advogado, empresário e morador do Interlagos.