Criminalidade na região de Linhares é debatida em audiência pública

O aumento da criminalidade no norte do estado e os desafios para garantir a segurança da população foram debatidos pela Comissão de Segurança em audiência pública que aconteceu na Câmara de Vereadores de Linhares na noite da última quarta-feira (16).

Autoridades de Rio Bananal e Sooretama também participaram e cobraram aumento do efetivo das polícias Civil e Militar, construção e ampliação de delegacias, Serviço Médico Legal (SML), entre outras reivindicações. Juntos, os três municípios contabilizam mais de 212 mil habitantes, segundo o Censo de 2022.

De acordo com relatório apresentado pelo presidente da Comissão, deputado Delegado Danilo Bahiense (PL), houve crescimento de 5% no registro de homicídios em Linhares, enquanto Sooretama registrou aumento de 25% de janeiro até julho deste ano. Bahiense destacou a necessidade de intensificar investimentos em segurança na região.

“Na última audiência pública em Linhares conseguimos implementar a Guarda Civil Municipal, mas ainda precisamos de mais investimentos. Como as ocorrências aumentaram, precisamos melhorar muito o efetivo das polícias e investir em SMLs. Já estamos dialogando com o Governo do Estado para que essas melhorias sejam implantadas na região”, afirmou Bahiense.

Para o deputado Lucas Scaramussa (Podemos), a atuação das instituições é essencial no enfrentamento à violência no estado. Segundo ele, o trabalho da Assembleia Legislativa tem se destacado na luta contra a insegurança. “A gente vive em novos tempos e graças a pessoas que entregaram seu trabalho para que isso acontecesse, como a OAB, as igrejas, o Ministério Público (…). E esse trabalho realizado pela Comissão de Segurança faz parte dessa entrega das instituições em prol de um Espírito Santo mais seguro. E o trabalho da Comissão e da Assembleia é este: ter atitudes assertivas em direção a um Espírito Santo melhor”, declarou Scaramussa.

O delegado da Polícia Civil de Linhares, Fabrício Lima, afirmou que a maioria dos praticantes de delitos é do próprio município. Segundo ele, é necessário que cada cidadão faça a sua parte para que haja diminuição da criminalidade. “Quando falamos de segurança, ficamos restritos às Polícias Civil e Militar, mas a questão da segurança vai além disso.

É também uma questão sociológica. Se exigíssemos mais construção de escolas em tempo integral, apoio nas periferias e nos locais vulneráveis, creio que em alguns anos teríamos outra situação, mas enquanto tratarmos a situação da criminalidade apenas como efetivo policial, estaremos sempre debatendo o mesmo assunto. É feito com mudança de paradigmas sociais”, afirmou.

Violência contra a mulher

A vereadora Pâmela Maia (PSDB), de Linhares, citou o aumento de casos de violência contra a mulher no município e cobrou medidas de combate. Bahiense explicou que a falta de estrutura dificulta o enfrentamento do problema.

“Na Capital, a Polícia Civil está com efetivo muito reduzido e no interior está com uma situação um pouco pior, porque quem responde pela Delegacia da Mulher também responde pela Delegacia do Idoso e Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente. É uma situação realmente lamentável”, afirmou.

Demandas

O vereador de Linhares Alisson Reis (DC) criticou a rejeição do projeto de lei apresentado na Câmara Municipal com o objetivo de colocar agentes da Guarda Civil Municipal armados nas escolas. Ele também solicitou investimentos para combater a criminalidade no interior do município.

“A Casa não achou importante colocar agentes armados nas escolas, mas é uma coisa que precisamos vencer, precisamos pensar na coletividade. Quanto à segurança nas localidades, eu compreendo que a Polícia Militar tem suas limitações, tem baixo efetivo, mas precisamos que o Governo do Estado olhe por isso, porque nosso interior sofre bastante. É hora de termos união dos poderes, não podemos ter vaidade”, afirmou.

Já o vereador Ronald Passos Pereira (DC) abordou a precariedade de equipamentos à disposição dos oficiais da Guarda Municipal de Linhares.

“Avançamos um pouco na Guarda, mas temos um déficit enorme no efetivo. As armas que vieram para Linhares estão sem munição, as viaturas estão sucateadas e os coletes estão precários. Estamos lutando aqui na Casa pelo auxílio fardamento para a Guarda e para que o oficial tenha a cautela da arma quando se aposentar”, disse o vereador.

A realização de concurso público na área da segurança em Linhares foi defendida pelo vereador Johnatan Maravilha (Podemos): “O interior de Linhares fica abandonado por causa do baixo quantitativo da Polícia Militar. Hoje, em Linhares, quando a gente sai na rua, o que a gente escuta das famílias é essa preocupação com o aumento da violência. Temos lutado muito pela segurança nas escolas, porque o quantitativo da Guarda Municipal não atende nossas escolas”, pontuou.

A vereadora Therezinha Vergna Vieira (Rede), moradora do distrito de Rio Quartel, solicitou uma Delegacia da Mulher para Linhares. “Precisamos de uma Delegacia da Mulher, um espaço adequado, pois o que temos aqui atende crianças, idosos, adolescentes no mesmo local. Precisamos de um escrivão com urgência. Fizemos panfletagem nas praias e na cidade, conseguimos alguma redução nessa violência, mas ainda é um volume muito alto de casos”, disse.

Este ano, a Comissão de Segurança já realizou o encontro em Cachoeiro de Itapemirim, Aracruz, Colatina, Guaçuí, Nova Venécia, Iúna e Vila Velha.  As próximas audiências acontecerão na Serra, Santa Teresa, São José do Calçado e São Mateus.