Economia

ES está entre os mais expostos do país ao novo ciclo tarifário dos EUA

A Federação das Indústrias do Espírito Santo (FINDES) acompanha com preocupação os sucessivos anúncios de aumento de tarifas feitos pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, em especial a taxação de 25% confirmada nesta quarta-feira (15).

O Espírito Santo está entre os estados mais expostos do país a esse novo ciclo tarifário, já que os EUA é o principal parceiro comercial do Estado.

Em alinhamento com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), entendemos que o aumento das tarifas compromete uma relação comercial bilateral construída ao longo de década. Brasil e Estados Unidos possuem cadeias produtivas altamente integradas, nas quais diversos produtos brasileiros são insumos essenciais para a indústria norte-americana, com isso, o aumento de tarifas prejudica empresas ambos os países.

A sobretaxa também agrava um cenário que já vinha pressionando as exportações nacionais e aumenta a incerteza para empresas brasileiras e americanas. Os Estados Unidos foram destino de 27% das exportações do Espírito Santo em 2025, o equivalente a US$ 2,8 bilhões, consolidando-se como um dos principais parceiros comerciais do Estado.

De acordo com dados da Comex Stat, compilados pelo OBSERVATÓRIO FINDES, considerando a lista de exceções divulgada pelo governo dos Estados Unidos, a tarifa adicional de 25%, prevista para entrar em vigor em 22 de julho, atingiria quase 500 produtos comercializados pelo Espírito Santo.

Entre os produtos que podem ter o maior impacto estão rochas naturais e minério de ferro, que estavam isentos nas últimas taxações impostas. Em 2025, esses itens somaram mais de US$ 240 milhões em exportações – valor que representa 2,3% da pauta exportadora capixaba e 8,5% das vendas do Estado para os Estados Unidos.

O comércio entre os dois países já vem retraindo diante da instabilidade provocada pelas sucessivas taxações dos EUA. No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 13%, o equivalente a US$ 2,6 bilhões.

O resultado negativo foi influenciado pela queda de 8,7% nas vendas de bens industriais. Apesar da redução, os Estados Unidos permaneceram como principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira no período.

Já no Espírito Santo, o impacto foi ainda mais significativo. No primeiro semestre de 2026, o Estado exportou quase US$ 1,4 bilhão para os Estados Unidos, o que representa 27,5% das exportações capixabas. Este resultado corresponde a uma redução de 17,2% no valor de exportação em relação ao mesmo período de 2025.

Ainda assim, o Espírito Santo tem o terceiro maior percentual de exportações para os Estados Unidos e o quarto maior valor exportado ao país, no primeiro semestre do ano.

A FINDES e a CNI continuarão acompanhando permanentemente os desdobramentos das medidas anunciadas e defendem que a proteção dos setores industriais exportadores passa, prioritariamente, pelo diálogo e pela negociação entre os dois países. A cooperação bilateral é o caminho mais adequado para preservar uma relação comercial sólida, previsível e benéfica para Brasil e Estados Unidos.

A CNI continua em permanente contato com Amcham Brasil e a U.S. Chamber of Commerce dialogando com os empresários dos EUA, tendo em vista que empresas de ambos os países estão sendo impactadas taxação. O livre comércio precisa prevalecer entre Brasil e Estados Unidos. O caminho a ser percorrido deve ser técnico e diplomático.

Ao mesmo tempo em que atuamos pelo fortalecimento das relações comerciais com os Estados Unidos, seguiremos trabalhando para diversificar a pauta exportadora capixaba e ampliar a presença do Espírito Santo nos mais de 170 mercados com os quais o Estado já se relaciona.

Essa é uma agenda estratégica para reduzir riscos, ampliar oportunidades e proteger a competitividade da indústria capixaba diante de futuros impactos no comércio internacional.

Paulo Baraona – Presidente da FINDES