A queda de Gilvan e o recado do sistema
Por Ronaldo Almeida
A decisão unânime do TRE-ES que mantém a condenação e torna Gilvan da Federal inelegível por oito anos não é um episódio isolado nem um acaso jurídico. É o sintoma mais visível de uma mudança estrutural no ambiente político brasileiro e o Espírito Santo apenas antecipa esse movimento.
A decisão confirma integralmente a sentença proferida em março de 2025 pela juíza eleitoral da 52ª Zona Eleitoral, movida pela atual deputada Camila Valadão, que na época do fato, era vereadora.
O processo correu a na última manifestação da justiça, condenou o parlamentar a 1 ano e 4 meses de reclusão, em regime inicial aberto, além do pagamento de multa de R$ 10 mil. A pena privativa de liberdade foi substituída por restritivas de direitos, nos termos da legislação aplicável.
O recado é direto: o tempo do político que vive do embate permanente, da provocação contínua e da retórica agressiva entrou em colapso institucional.
O sistema reagiu e reagiu com força
Gilvan não caiu por falta de voto, base ou exposição. Caiu porque bateu de frente com um sistema que, hoje, opera com regras mais duras e menos tolerância ao confronto descontrolado.

A decisão do TRE-ES, respaldada pelo Ministério Público Eleitoral e ancorada na Lei da Ficha Limpa, mostra que o Judiciário deixou de apenas arbitrar eleições para intervir diretamente no comportamento político aceitável.
Não se trata de direita ou esquerda. Trata-se de método.
O político de choque virou risco eleitoral
Até poucos anos atrás, o discurso agressivo rendia:
- engajamento
- holofote
- base fiel
- e capital político
Hoje, o mesmo perfil gera:
- ações judiciais
- desgaste institucional
- isolamento partidário
- e, no limite, exclusão do processo eleitoral
Gilvan se tornou um caso-exemplo. Não por sua singularidade, mas porque levou o modelo até o limite e o limite agora cobra preço.
O vácuo não será ocupado por réplica
A saída de cena de um ator combativo cria espaço, mas não autoriza sucessão automática.
Quem imaginar que basta repetir o discurso, subir o tom e ocupar o mesmo lugar não entendeu o novo jogo.
O sistema político de 2026 exige
- agressividade controlada
- conflito calculado
- retórica sem risco jurídico
- e capacidade de recuo
O político que não entende isso vira problema para o partido, para a coligação e para si mesmo.
A política entrou na era do “custo de comportamento”
O caso Gilvan marca uma virada silenciosa: o comportamento político passou a ter custo mensurável.
Não é mais apenas o que se diz, mas!
- como se diz
- contra quem
- em que ambiente
- e com qual intenção
A institucionalidade brasileira decidiu apertar o cerco. E quem insiste no embate como estratégia central passa a jogar contra o relógio e contra o sistema.
2026 será menos barulho e mais sobrevivência
A eleição que se aproxima não premiará o mais ruidoso, mas o mais adaptável.
Não vencerá quem grita mais, mas quem entende os limites invisíveis que agora são rigidamente vigiados.
Gilvan da Federal não é apenas um nome fora da disputa.
É o encerramento de um ciclo político.
E, a partir de agora, quem não se ajustar à nova lógica institucional corre o risco de não chegar sequer ao dia da eleição.
Ronaldo Almeida: Jornalista e Consultor Político

